São Paulo, 05 de Junho de 2004
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Uma análise da história hegemônica americana iniciada no século XX Por Douglas E. Lima * douglaslima3@yahoo.com.br
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Se analisarmos todo andamento do século XX, perceberemos muitos conflitos e revoluções, todos movidos por algum tipo de interesse. Alguns manifestaram-se de forma violenta por seguir um ideal político, outros lutando pela libertação de um sistema totalitário e/ou ditatorial. Estes foram casos como o da revolução russa de 1917, a guerra civil espanhola na década de 1930, assim como tantos outros. Porém, o que provavelmente mais tenha marcado neste sentido, tenha sido a II e Grande Guerra Mundial. Atribui-se a isso o fato de ter sido uma guerra em proporções como nunca houvera antes em escala mundial, assim como pelo volume de mortos numa só guerra e pelo medo que nascera com a máquina nazista. Após o término da guerra em 1945, o mundo bipolarizou-se em dois sistemas políticos, movidos por ideais e filosofias diferentes. De um lado havia a ex-URSS que levantara a bandeira dos comunas que tinham chegado ao poder Estatal e acreditavam assim como Lênin, estarem um passo a frente de todos os sistemas políticos, fundamentados nas idéias de Karl Marx. A URSS tornou-se uma inspiração e ganhou uma representatividade muito maior do que talvez até os próprios líderes russos pensassem. A União Soviética transformou-se num modelo alternativo para libertar principalmente os países do chamado Terceiro Mudo de toda opressão a qual estavam subjugados como colônias ou ex-colônias pelas potências acima da linha do Equador, principalmente pelos Estados Unidos, que fora o único país que conseguiu sair da guerra com uma economia aquecida e com os cofres governamentais muito bem fartos em decorrência da indústria armamentista que muito lucrou na II Guerra. Do outro lado do Oceano Atlântico estava a outra superpotência, os Estados Unidos. Este ao lado da Inglaterra e URSS conseguira sair vencedor da II Guerra após ter derrotado as tropas nazistas. Porém o que mais diferenciava os EUA da Rússia, era a visão lucrativa que tinha por reger o sistema capitalista e todo o discurso que o acompanhava. Principalmente na II guerra, o mundo dividiu-se entre duas alianças que assim chamaremos de Aliança do bem e Aliança do mal. Na aliança do bem tínhamos como já foi observado neste texto EUA, Inglaterra e a ex-URSS que uniram suas forças para derrotar a aliança do mal que era composta por Itália, Japão e Alemanha, sendo este último sua maior força e a principal causa do medo que abalou em especial o povo judeu por toda perseguição e barbárie ocorrida e já conhecida. Após 1945 a Aliança do bem saiu vencedora, e o mundo entrou num outro ciclo da história que durou 45 anos, a qual ficou conhecida como Guerra Fria e muito marcada pela corrida armamentista entre os dois pólos, respectivamente EUA e União Soviética. O mundo ficou assim dividido e subjugado ao poder de dois Titãs. Ambos sentiram que faltara muito pouco para ter chegado a hegemonia total do seu poder, no entanto a URSS esperava que a Internacional Comunista amadurecesse entre todos os proletariados do mundo até que todos se unissem e em cada país o amadurecimento da sociedade levasse à Revolução dos trabalhadores, tal como ocorrera na revolução russa de 1917. Já do lado Ocidental do globo terrestre, os EUA, inflamados em tornar-se a única e grande hegemonia e movidos pelo discurso Capitalista asenhoraram-se de países de economia frágil e dependentes, e o motivo da disputa armamentista deveria ganhar um motivo, e qual seria este? Washington percebera que o espírito da revolução russa vinha ganhando a simpatia principalmente nos países pobres, e isto tornou-se a raiz maligna para os ideais americanistas. O exército vermelho era agora o novo e grande vilão do Ocidente, porém os EUA tanto não podiam atacar da forma que quisessem, assim como temiam um ataque russo, que graças a Deus nunca ocorrera, pois ambas as partes poderiam destruir o mundo com todo o potencial e arsenal atômico que possuíam, e durante os 45 anos que duraram a Guerra Fria o mundo viveu e temeu a eminência de uma guerra em proporções atômicas. No entanto, questiono por quê o Ocidente colocava o Oriente como mal. Que mal os russos realmente fizeram com a Revolução de 1917, em acreditar e seguir um ideal que fugia dos ideais capitalistas? Não posso ignorar o fato de que o sistema comunista limitou a economia e o desenvolvimento da sociedade russa, porém não são estes motivos para serem vistos como malfeitores. No entanto, foi assim que o discurso americano os pintou, e assim muitos povos acreditaram que eles eram durante os anos de Guerra Fria. Após 1989, com a queda do Muro de Berlim e a total defasagem dos sistema comunista, o cenário internacional ficou entregue a superpotência que sobrevivera e que tornou-se agora a maior hegemonia já vista em toda a história. Assim foi que os EUA tornaram-se a maior liderança internacional, com o detalhe que não havia mais quem fizesse frente à máquina americana. No entanto, questiono à você caro leitor se você acredita ser isto bom ou mal. Analisando os fatos, podemos perceber que a partir de 1989, assistimos ao extraordinário crescimento da economia americana e seu fortalecimento bélico, onde tanto um como outro são hoje incomparavelmente muito mais forte o que qualquer outro país. Isto automaticamente traz para quem presidi a Casa Branca um grande conforto e um sentimento de poder que o leva acima de qualquer Estado ou Órgão Internacional. Isto leva os EUA a realizarem qualquer ação que pretenda sem se preocupar com algum tipo de retaliação visto que não há quem possa fazer frente à sua economia muito menos ao seu poder militar. Assistimos recentemente de nossas casas a maior e mais evidente prova de tais fatos. O que levou os EUA a invadirem o Iraque são motivos diversos que vão desde a expansão de sua geopolítica até aos interesses no petróleo, devido ao que representa isto em termos econômicos. Concluo com isto, que mal nasce de duas diferentes maneiras de discurso. A primeira, podemos dizer que ele nasce pó si só, assim como foi no caso do Nazismo, onde o discurso e ideais mesmo sendo racistas de um homem inflamou toda uma nação. A segunda nasce do discurso hegemônico, assim como temos visto ao longo da história na política externa americana. Sem ninguém para fazer frente, a Casa Branca diz: “Este é mal e nós vamos lutar contra ele”. E nós temos que acreditar nisso, acredite ou não. Questiono agora: será que o mal não está na falta de rivalidade? Se houvesse uma outra superpotência equiparada a americana tanto econômica quanto militarmente, estaríamos assistindo os EUA fazerem do mundo seu parque de diversões e invadir o Oriente Médio da forma que queira sem motivos reais e concretos para isso? Estaríamos assistindo a defasagem de Órgãos Internacionais tão importantes como a ONU que praticamente mostrou-se impotente ante as ações e desrespeito americano em ignorar as normas internacionais? Especialistas afirmam que daqui a 40 anos a China terá superado os EUA em termos econômicos. Penso então se será devaneio de minha parte imaginar que a partir desta época poderá dar-se um novo ciclo no cenário internacional com o espantoso crescimento que a China vem apresentando. Será demais torcer para que cresça algum outro Titã para que haja um melhor equilíbrio de forças no mundo? |
| *Douglas E. Lima é bacharelando em Relações Internacionais pela UniCapital |
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