São Paulo, 05 de Junho de 2004

URBIS e UNCTAD: EXEMPLOS DE DEMOCRACIA INTERNACIONAL

Por Otávio Augusto Marin Martinez* otavio.augustom@uol.com.br

 

Durante a semana de 14 a 18 de Junho, dois grandes eventos internacionais aconteceram na cidade de São Paulo, a URBIS (Feira e Congresso de Cidades) e a reunião da UNCTAD (divisão da ONU dirigida ao desenvolvimento e comércio). Os dois eventos foram de igual importância e ambos foram amparados pela prefeitura de São Paulo.

Na URBIS pude contemplar em um mesmo ambiente, líderes municipais trocando know how em administração pública, líderes empresariais apresentando seus projetos e produtos que, eventualmente poderiam ser aplicáveis em alguma parte do mundo e também organismos internacionais firmando parcerias e dando vida a projetos sociais importantes de ONG´s, que outrora ficariam engavetados pela falta de verba para suas aplicações. Isso é democratização.

Chega a ser intrigante a idéia de que organismos, como a União Européia, estejam dispostos a apoiar projetos de cooperação nas mais variadas áreas com o Brasil e com o mundo. Estariam os ricos do velho mundo atentando para a realidade de que só haverá paz e prosperidade se todos os países se ajudarem até o extermínio da pobreza e da desigualdade social? Esta me parece uma idéia um tanto quanto utópica ou kantiana, mas... sonhar um pouco não faz mal a ninguém não é? Mas esta utopia parece estar se tornando realidade, e um exemplo disso é o programa URB –AL da União Européia que financia projetos sociais na América latina. O programa URB – AL é dividido em redes compostas por várias cidades do mundo, sendo que, cada rede é voltada para um projeto social específico. São Paulo preside a rede 10 da URB-AL que é voltada para o combate a pobreza urbana. O programa conta com o apoio do Banco Mundial e da Cities Alliance.     

A URBIS revela em seu bojo uma simples mensagem: Instituições, blocos econômicos, governos locais e empresas têm enxergado o internacionalismo através da interdependência, como via de um progresso equânime; hoje a cooperação internacional torna-se a tônica para o desenvolvimento local.

Quanto a UNCTAD, evidentemente a temática foi diferente, ao contrário do que disse um grande jornalista brasileiro, Joelmir Beting que se dirigiu a UNCTAD como “um encontro de diplomatas entediados”, a reunião foi muito proveitosa, pois foi destes “diplomatas entediados” que proveio a voz de repúdio contra o protecionismo dos países desenvolvidos, principalmente o protecionismo a produtos agrícolas, foi destes diplomatas entediados que surgiu o ímpeto de articulação política entre os países do hemisfério sul que, uma vez unidos, tornam-se mais fortes e colaboram para o equilíbrio da balança de poder planetário, ganhando mais poder de barganha nas negociações internacionais.         

Perdão Sr. Joelmir, mas a UNCTAD não foi um teatro inútil, foi sim uma mostra de que existem fagulhas de democracia no sistema internacional.

Tive o privilégio de acompanhar alguns membros da delegação da União Européia durante esta semana, e por isso, pude sentir na prática que existe cooperação entre as nações, que existe solidariedade objetivando um único ponto: desenvolvimento sustentável para o mundo todo.

É fato que a prática de cooperação internacional ainda é tímida, mas é algo que está se avultando de tempo em tempo. 

Concluo este artigo esperando que os próximos governos que, eventualmente venham tomar posse da prefeitura de São Paulo, continuem valorizando os projetos da secretaria de Relações Internacionais, (inclusive a URBIS), mesmo porque, hoje, uma secretaria deste porte não é mais sinal de status para o município, é sinal de avanço, por que ela serve não somente como catalisadora de oportunidades externas que beneficiam a população local, mas também como representação política legítima da instância municipal no cenário internacional.

 

 
*Otávio Augusto é bacharelando em relações internacionais pela UNICAPITAL e presidente do CANRI

Artigo escrito sob a supervisão do Prof. Kléber Oliveira

 
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