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    Sá de Miranda  
Sá de Miranda

HISTÓRICO
Maio • 2001

BIBLIOGRAFIA

Breve História da Literatura Portuguesa, Texto Editora, 1999

A.J. BARREIROS, História da Literatura Portuguesa, Editora Pax, 1º vol., 11ª ed.

A.J. SARAIVA, O. LOPES História da Literatura Portuguesa, Porto Editora, 12ª ed.

LIGAÇÕES EXTERNAS
E.S. Sá de Miranda

 
   

De origem nobre e filho de um cónego da Sé de Coimbra, Francisco de Sá de Miranda nasceu nesta cidade cerca de 1481 e aí terá passado a infância e feito os primeiros estudos, provavelmente no Mosteiro de Santa Cruz. Estudou Leis na Universidade de Lisboa, que alguns anos mais tarde seria definitivamente transferida para Coimbra.

Dada a sua condição nobre, frequentou durante algum tempo a corte de Lisboa e participou nos serões palacianos, como comprovam os poemas escritos em português e castelhano, de acordo com os modelos tradicionais: vilancetes, cantigas e esparsas. Essa produção está registada no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende e aí é-lhe atribuído o título de "doutor", o que faz supor que terá mesmo sido professor na universidade. Nessa altura conheceu certamente os poetas seus contemporâneos, Garcia de Resende, Bernardim Ribeiro, Gil Vicente e outros.

Em 1521 fez uma viagem a Itália, onde permaneceu durante cerca de cinco anos e conviveu provavelmente com alguns representantes ilustres do humanismo italiano. Essa longa estada permitiu-lhe familiarizar-se com a cultura renascentista e, nomeadamente, as novas formas literárias.

Em 1526 regressou a Portugal, tendo permanecido algum tempo em Espanha, onde provavelmente conheceu os poetas Boscan e Garcilaso, já então empenhados na introdução da estética renascentista na península. Ao chegar a Portugal, passou algum tempo em Coimbra, mas depois (1530?) mudou-se para o Minho, primeiro para a sua comenda de Duas Igrejas, junto ao rio Neiva, no actual concelho de Vila Verde, depois, para a sua Quinta da Tapada, em Amares, perto de Braga. Nessa altura estava já casado com D. Briolanja de Azevedo.

Nesse seu retiro, ao mesmo tempo que se dedicava a gerir os trabalhos agrícolas, foi compondo os seus textos e, simultaneamente, exercendo um profundo magistério literário sobre os contemporâneos. É que, embora afastado da corte, manteve com inúmeras personalidades uma correspondência intensa. Desse modo, mesmo à distância, ia acompanhando o evoluir da vida nacional e tecendo os seus comentários críticos.

Foi ele que introduziu no nosso país as formas literárias típicas do Renascimento: soneto, terceto, oitava, canção, écloga, elegia, carta, tal como o metro decassilábico e a comédia de estrutura clássica.

Pelos temas, afasta-se igualmente do poetar palaciano. Mostra-se muito crítico, relativamente ao estilo de vida da sua época. Manifesta claramente nostalgia da vida simples e calma do passado. Valoriza o viver rústico do campo face à vida de luxo e vaidade da corte. Nota-se aqui a influência do tópico horaciano da aurea mediocritas. Mostra-se também pouco favorável à aventura ultramarina, que era contrária em tudo ao viver simples que defendia.

Outros temas recorrentes na sua obra são a defesa da superioridade das letras sobre a actividade guerreira e o estímulo ao aperfeiçoamento literário pelo estudo dos poetas estrangeiros

Além de uma extensa produção poética, é autor das comédias Vilhalpandos e Estrangeiros.

Os últimos anos da sua vida foram amargos: Bernardim Ribeiro, amigo de longa data, faleceu em 1552; no ano seguinte morre o filho Gonçalo, em Ceuta; em 1554 é a vez do príncipe D. João, seu amigo e protector; logo a seguir, em 1555, é a esposa que desaparece. A última referência conhecida a Sá de Miranda é de 1558; presume-se que terá falecido nesse ano, tendo sido sepultado na igreja de S. Martinho de Carrazedo, em Amares.